Terça-feira, Novembro 17, 2009

Nada a perder

"[...]será que encontraríamos o lugar que tanto procurávamos? Será que saíriamos vivos de tudo aquilo? E a descida? Quando acabaria? As perguntas não eram feitas em voz alta, apenas olhávamos um ao outro e nos comprometíamos a ir de corpo e alma nessa aventura, afinal, não tínhamos nada a perder...[...]"

E não tínhamos nada a perder. Andávamos a passos acelerados, motivados pela aventura e curiosidade, uma hora tu olhou o céu e quando olhei, tu já estava nele, dizendo que não se preocupasse, já voltava...
Eu, com um sorriso no rosto, não sabia bem o que me aturdia ou o que me encantava naquela linda figura, que nesse exato momento saía voando. Continuei só o caminho e tratei de deixar as marcas por onde passei...deixei marcas minhas, marcas nossas, números secretos, ao mesmo tempo que recebia uma brisa com o teu perfurme...e perambulei descendo à margem daquele ex-filete d'água, já tinha uns três corpos de largura e podia chamá-lo de riachinho, continuava a descer esta tal montanha também. O verde não é mais tão denso, a floresta abria num clarão de água que começava a inventar-se em cachoeiras e quedas, cuidei de que contaria todas as maravilhas que vi, enquanto tu viajava por aí...
Quando tu voltou, havia ainda mais jovialidade em mim que em outros tempos. Contei sem tomar fôlego tudo que ocorria e que passava, já iam lá uns 10 dias de descida...e tu contava que esse riachinho ia longe, voou e voou sem ver qualquer fim, perguntei-lhe se ficava mais largo que isso (uns três elefantes) e tu com um sorriso no rosto, daqueles que me fez apaixonar, respondia com um traço de expectativa, com um pedaço de galhofa e um bocado de felicidade: verás...
Contamos juntos as estrelas daquela noite magnífica, até que adormecemos, sem notar, um em cada margem, de frente um ao outro, em silêncio os nossos olhos se enlaçavam e os corações palpitavam. A noite trazia sons aterradores, só que naquela noite, os sons eram inaudíveis, éramos dois em um só momento...
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[Continua, com a esperança de não enfadar o leitor...]
tudo, na verdade, é um sonho

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Pela Margem...

Não sei o que é e nem como fomos parar ali, sei que estávamos ali. Em meio a um topo de algum ponto alto do mundo. Notava-se isso por causa da descida que o terreno apontava, porque no horizonte tudo coberto por um teto de imensas árvores...daquelas do tipo arranha-céus, onde cada metro deve ter mais de um século cada...o verde é tanto que a luz do sol escapa apenas por pequenas fendas das folhas desta floresta. Tem tantas folhas no chão, e pedras também e galhos...sei que achamos um filete d'água, que corria grudado ao terreno, sem muita vontade, apenas seguindo o curso da gravidade, descia a ladeira. Decidimos, então, seguir lado a lado, eu e tu, um em cada margem deste filete d'água, acompanhar o seu caminho e a vida que nasce dele e, quem sabe, encontrarmos o lugar de onde viemos. Ansiosos, apreensivos, elaborativos...montamos um plano de sobrevivência, uma vez que não sabíamos aonde aquele filete nos levaria e se, realmente, viria a tornar o que mais esperávamos dele: um rio. Contemplávamos aquela vastidão, aquele cheio de coisas verdes e silenciosas, só ouvíamos a nós mesmos. Encontramos um abrigo para passar a noite, e fomos dormir bem tarde contando e revivendo as maravilhas daquela aventura, o filete d'água já tinha uma largura maior, mais ou menos do tamanho de três mãos juntas, dormimos na mesma margem, com uma fogueira iluminando as nossas novas feições, encantadas e cansadas de tanta de felicidade...o que viria amanhã? E será que encontraríamos o lugar que tanto procurávamos? Será que saíriamos vivos de tudo aquilo? E a descida? Quando acabaria? As perguntas não eram feitas em voz alta, apenas olhávamos um ao outro e nos comprometíamos a ir de corpo e alma nessa aventura, afinal, não tínhamos nada a perder...
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[esta aventura vai longe, continua em uma outra jornada...]

Terça-feira, Novembro 03, 2009

1996

[Natiruts]

Sem entender, nem explicar
Tudo aquilo que vem de você
Eu vou fechar os meus olhos e ver
A pérola que a vida trouxe pra mim
Eu pego o pedacinho do céu
Pra colocar minha estrela linda
Se o tempo tiver algum jeito
Que a gente possa parar

Finalmente poderei te encontrar
Felizmente estarei com você aqui
E você nem sabia que podia gostar assim
E você nem sabia que o mundo tinha fim

Só mais uma...

Deu pra ver daqui, de longe, aquela nave fumaçando...
E ouvir um tambor, um tum tum, um grito uníssono...
Neste instante, se ainda tivesse coração, havia parado.
[parei, parei por tudo que gira este mundo]
1-0! A terra treme, e uma gargalhada incontrolável...
Deu pra saber que o segundo viria com o melhor de todos!
Assim que o locutor contou que o Geraldo tocou a bola pra área,
"...no Sérgio Alves..." 2-0!
[parei, outra vez, porque sempre paro por dois momentos]
Olê olê Oh meu vozão, oh meu vozão amo você...
Ceará 2-0 Bragantino, rodada 34, Reinaldo e Sérgio Alves.
[A história passa logo ali, naquele colossal, naquele Castelão]
Só mais uma vitória e o Ceará é rei!

Domingo, Outubro 25, 2009

Ceará 1-0

"Macho, tu sabe o q são 6 pontos
...
só 6 pontinhos
em 6 jogos
e era, muito provavelmente, o meu jogo da temporada
uma energia tomava conta do Castelão, na sexta
era o incrível, o invencível, o inacreditável, o impossível...o Ceará! o Ceará!
veio várias partidas à cabeça
Ceará 4-2 no América/RN, gol do Aleluia
Ceará 3-6 Fortazleza
Ceará 4-0 CRB no PV
Ceará 0-1 Americano neste mesmo PV
Ceará 3-3 Limoeiro
Ceará 2-0 Remo
Ceará 1-1 Fortaleza, fomos vice...mas 'ooo eu acredito'
o Ceará! o Ceará!
aquele mesmo Ceará
Ceará 1-4 Uniclinic
Sergipe 7-0 Ceará
Vasco 0-2 Ceará
poutaqpariu!
o Ceará, Vilnei!
Ceará 2-1 Paysandu, na chuva
Ceará 1-0 em qualquer um aí
o Ceará, Vilnei! o Ceará tão perto do Brasileirão 2010
perdoa estas últimas goleadas, perdoa
o Ceará 2-2 com o Ituano
o Ceará que perde do Marília, Ipatinga
que vence o Sport, o Náutico
que aborrece o Remo, odeia a Ressacada,
o Ceará que não é campeão do Brasil por capricho de juíz fraco
o Ceará do Boleta, o Ceará do Maradona, do Arlindo, do Aleluia, do Geraldo, do Mota, do...Sérgio Alves!
O Ceará do Vilnei, do Brasa, do Eduardo em mais um dia quente no PV...e sofrendo pra se salvar da C contra um Paulista enfadado.
Isso tem dia, isso acaba, o Ceará agora vai ao Maraca, ao Mineirão, Morumbi, Beira-Rio, sem ser convidado, sem ser só mais um participante de Copa simplória ou amistoso senssabor, o Ceará vai ao Brasileirão! sem convite, com uma massa arrebatadora, com o meu coração na mão, com as listras pretas e brancas [brancas e pretas] e os calções em branco, com as expectativas de quem esperou, mas não morreu! quem viver, vai ver."
Ceará 1-0 Duque de Caxias, Castelão, dia 23 de outubro de 2009.

Domingo, Outubro 18, 2009

"Não sei que diga neste lance mais imprevisto da sua vida. O que posso é vaticinar-lhe que a mulher das suas primeiras afeições há-de salvá-lo ou perdê-lo. Há-de fazê-lo recuar à inocência de seus primeiros anos, ao suave perfurme dos seus desejos imaculados, ou, de um lance de olhos, mostrar-lhe todas as torpezas, e, de um só impulso, atirá-lo a todos os abismos. Penso que lhe digo uma cousa nova. Não encontrei ainda quem assim pensasse. É moda santificar os primeiros amores. O homem gasto, que é sempre o mais imoral, fatigado de amores, incapaz de espiritualizar-se, não diz quem o cansa, quem o materializa, e quem o imergiu no charco dos baixos apetites."

O que veem-me? O que vem...

Sábado, Outubro 17, 2009

Awards 2009 [os melhores do ano 2009]

96 [full]
O meu texto mais vivo! O texto do ano, o texto de todos os tempos...em inglês.
My 'livest' text! The text of the year, the best of all time...in english.

My name: 96.
I, myself, [full] of all weariness,
all the mishaps, blisters and calluses,
of burned skin, so many eyes,
many laps, cycling and past ...
I [full] of much training, so much thought
and a single one, feeling:
finish.
I [full] of so much nostalgia, happiness and sadness,
In both high, low, intense, so firmly,
Of questions, statements, discussions, loneliness,
"..."!, reminiscences, cries,
explanations [full] of connections and disconnected,
Said of me said, misdemeanors and contradictions,
exasperations, defamation, [full] arrived ...
I even finished as I started
and started as I finished,
in reverse: 9 + 6.
[full] of the sun, tears, smiles,
I have in me the solution.
From such a lack of everything I have, so much everything
I lack, I ... I'm not the same.
But I repeat myself,
be the same without the one who was
I, I get the 25,750 meters of this.
From fists, a look devastating.
Contemplative and triumphant!
Without past
no future.
I, 96, full of me. [Capable of everything today]
Who really makes me happy.

Chicken Heart
O texto mais dramático! O segundo melhor texto do ano!...Arrepiante
The most dramatic text! Second best of the year!...Chilling

Before, long before, my heart is stuck and turned into an appetizer of any conversation, I loved eagerly. It's in the past. It has a wound the size of a world, which cost me a few cents of lamentations. They feed happily, put until crumbly, spread the news: it has heart! Wrote voraciously in my yard, singing strong, reared its beak, owned every square inch, without blinking, without hesitation was cock! Now I have my most valuable fried and tasted: a heart. Along with a few more that had the same end without an owner, without expectation. Dead only.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

83 266

"Encontrei, aos catorze anos, uma dessas mulheres fatídicas, que trazem no seu primeiro olhar de amor a ventura plena ou a desgraça absoluta do homem que encaram.
Era criança, como eu, filha segunda como eu [...]
Não sei dizer-lhe como vivi pelo amor deste anjo. Foi, primeiro, um sonho sem sobressaltos, uma suave embriaguez do coração sem o delírio dos sentidos, um ardentíssimo desejo de felicidade para nós. Foi, depois, um acanhamento em nossas revelações, um corar sem motivo quando abaixávamos os olhos um na presença do outro, quando os levantávamos simlutaneamente para o céu, como a suplicarmos coragem para podermos ao mesmo tempo soltar a palavra tremenda, a expressão comprimida que devia selar o contrato que mutuamente fazíamos [...] Foi, por fim, a luta desabrida do coração com a cabeça, da inocência com o cálculo, da sanidade das afeições com o demônio das conveniências sociais."
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Hoje, mais uma vez, é inesquecível.

Sábado, Outubro 03, 2009

Aquele dia em que te vi [de novo]

Em poucos segundos, retomei o fôlego e parti para o meu novo dia. Algo me alentava, algo me excitava...havia novos ventos na minha face. Havia um q de B. Havia um novo de novo. O ar que respirava tinha sabor, tinha um pefurme principal, que ainda hoje tem resquícios quando inspiro novo ânimo...sinto-me novo! Um novo sorriso... Eu estou em outra dimensão de tanta felicidade (que loucura!), uma felicidade nova. Se esta paixão é em vão, um dia o tempo me abre os olhos...por ora, continuo com sentimentos que arrebatam o mais valente dos homens e que engrandecem qualquer ser humano, sentimentos com ares novos. Tenho exclamações em meu coração e um amor que cabe em dois!

MORVOBA
X

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

96 [cheio]

Meu nome: 96.
Eu, eu mesmo, [cheio] de todos os cansaços,
de todos os percalços, de bolhas e calos,
de pele queimada, de tantos olhos,
tantas braçadas, pedaladas e passadas...
Eu [cheio] de tanto treino, de tanto pensamento
e um único, um só, sentimento:
terminar.
Eu [cheio] de tanta saudade, felicidade e tristeza,
De tanto alto, baixo, intenso, com tanta firmeza,
De questões, de afirmações, discussões, solidões,
restiscências, reminiscências, exclamações,
explicações, [cheio] de nexos e desconexos,
De disse-me-disse, de contravenções e contradições,
exasperações, difamações, [cheio] de chegar...
Eu mesmo termino como começo
e começo como termino,
de forma invertida: 9 + 6.
[cheio] de sol, de lágrimas, de sorrisos,
Tenho em mim a solução.
De tanta falta de tudo que tenho, de tanto tudo
que me falta, eu...eu não sou o mesmo.
Mas me repito em mim mesmo,
sendo o mesmo sem ser aquele que era,
Eu, que chego de 25.750 metros de presente.
De punhos cerrados, de um olhar devastador.
Contemplativo e triunfante!
Sem passado,
sem futuro.
Eu, 96, cheio de mim. [Capaz de tudo hoje]
Quem realmente me faz feliz.